28 janeiro 2009

Gosto de dias de chuva. Gosto de vocês, de ti também.

Gosto de dias de chuva. Gosto de ficar no meu quarto a ouvir música, baixinho (nunca gostei de ouvir música muito alto). Fico a pensar na vida, no que quero fazer, no que já fiz, no que ainda sonho e no que deixei de acreditar. Fico sempre um pouco nostálgica, com saudades dos meus amigos que estão longe, mas parece que às vezes temos de abdicar da presença de algumas pessoas. Dói, custa muito, mas aprendemos a lidar com a saudade. Pensamos menos nela a cada dia que passa. Arrumamo-la a um canto, com jeitinho. Mas ela está lá, não desaparece. E em dias em que as nossas ideias lutam umas contra as outras, dias em que os nossos sentimentos resolvem misturar-se e diluir-se uns nos outros, a saudade vem, lembra-nos que está aqui. Desce do nosso pensamento ao nosso coração e aperta-o. Dá-lhe um nó, bem apertado, bem comprimido. E esse nó fica. Fica por mais algum tempo.
Vemos então fotografias, procuramos conversas gravadas no computador, tentamos enganar a saudade. Os amigos que ficaram para trás vivem novamente na nossa memória. Passam diante de nós momentos de felicidade, de alegria, de sorrisos, de abraços, de lágrimas, de soluços, de tristeza e de desilusões, porque afinal a amizade é tudo isso. Não são só dias felizes, são também dias tristes, dias em que nem tudo corre bem, mas no fim, um amigo

dá-nos a mão e ajuda-nos a levantar, a seguir em frente sem olhar para trás, sem olhar para o que ficou e que não interessa mais. Não é preciso deixar cair as lágrimas na cama. No ombro de um amigo sabe sempre melhor, é sempre mais reconfortante. A almofada agradece.
É em dias como esses, em dias como estes, que nos sentimos gratos por tudo aquilo que temos. É tão bom ter amigos! Nem precisam de ser muitos. Basta um, talvez dois, desde que sejam sinceros.
Oiço a chuva a cair lá fora.. Como é bom! É bom sentir-me grata! Quero amigos - mais ainda. Quantos mais melhor. E sinto-me feliz... porque sei que os tenho.
E mesmo que nestas últimas semanas não tenhamos falado, eu gosto muito de ti - amigo! Mesmo que por alguma razão nos afastemos, eu vou estar sempre aqui para ti. Não importam as circunstâncias. Eu sou tua amiga. Isso diz tudo. Vou estar presente, mesmo quando não estiver ao pé de ti. Vou ouvir-te, mesmo quando não falares para mim. Vou dar-te conselhos, mesmo que não os oiças. Vou abraçar-te, mesmo que o calor do meu abraço não chegue a ti, não tenho culpa da distância, das separações, das coisas que se metem entre nós. Vou chorar contigo mesmo que não possas molhar o meu ombro com as tuas lágrimas, por uma razão ou outra. Vou ultrapassar os obstáculos, vou fazer de conta que eles não existem. Nada disso interessa, percebes? Eu sou tua amiga. Isso diz tudo.

1 comentário:

Demian disse...

Tanta melancolia... Estado de espírito, esse, que nos permite escrever o melhor de nós próprios, como é o caso. Mais um texto excelente, menina Utopia. ;)

Um beijo