30 dezembro 2008

'Sim'

Conto os dias que faltam para te ver. Conto baixinho, não quero que ninguém me oiça, ninguém precisa saber quantos dias faltam para que a minha vida possa de novo ter cor. É triste ter de admitir isto, sabes. Custa. Custa tanto pôr assim tudo o que sou nas tuas mãos, sem tu fazeres a mais pálida ideia daquilo que carregas. Não tens o peso do mundo inteiro sobre ti, mas tens o meu mundo, todo ele. Onde quer que vás, onde quer que estejas, ele está contigo. Eu estou contigo, de alguma maneira. Mesmo sem saberes. E por um lado quero que tudo continue assim. A tua ignorância sobre a importância que te dou. Talvez seja melhor. Assim não me podes magoar, não me podes negar. Mesmo que me ignores, eu vou estar aí, a teu lado. Vou estar a sorrir para ti, de braços abertos para te receber mesmo que resolvas partir. Onde, quando e como quiseres, sempre que quiseres. Mesmo que ames outra pessoa, mesmo que nem se quer me adores ou gostes de mim, eu vou sentir por ti isto que sinto, e que nem sei o que é. Como posso chamar-lhe? Amor, paixão, amizade incondicional? Nem sei. Essas palavras estão tão usadas, tão sujas e carregadas de obrigações. A obrigação de corresponder, de respeitar, de estar presente. A obrigação de falar, ouvir, perceber. O que sinto por ti está limpo de todas essas coisas. Não é preciso, eu dispenso tudo isso. Quero-te simplesmente como és, percebes? Tu, apenas tu. Tu assim - meigo, querido, angelical, mas sem seres assim para mim, sem teres obrigação de o ser. Eu quero-te sem que tenhas de me querer também, embora me custe tanto pensar nisso.
Prefiro viver na esperança do 'sim', do que na certeza do não. Está assim tão errado? É que no fundo, mal te conheço...

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